O Ministério Público e as Investigações — Acusação e Resposta

Uma das alegações centrais do documentário "Escravos da Fé" é que os Arautos do Evangelho nunca foram devidamente investigados. Esta página analisa essa alegação confrontando-a com o extenso registro de investigações efetivamente conduzidas por autoridades civis, policiais e eclesiásticas ao longo de 8 anos.

A acusação no documentário

Acusação apresentada no documentário
"O MP não tinha elementos para processar ninguém. Agora, não tinha porque não teve investigação."
— Franklin Gomes, "Escravos da Fé" (Ep. 2)

Esta afirmação sugere que os Arautos do Evangelho escaparam da responsabilização não por inocência, mas por falta de investigação. O registro documental mostra que esta alegação é factualmente falsa.

A realidade das investigações

Fatos documentados

Ao longo de 8 anos, os Arautos do Evangelho foram submetidos a um volume extraordinário de investigações por múltiplas instâncias independentes, em diversos estados brasileiros e no exterior. Todas resultaram em arquivamento ou decisões favoráveis à instituição.

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processos judiciais — todos arquivados ou com resultado favorável aos Arautos

Inquéritos policiais

Investigações policiais foram conduzidas em múltiplas cidades e estados:

Localidade Estado Resultado
Caieiras SP Arquivado
São Paulo (capital) SP Arquivado
Rio de Janeiro RJ Arquivado
Curitiba PR Arquivado
Piraquara PR Arquivado
Maringá PR Arquivado
Belo Horizonte MG Arquivado
Joinville SC Arquivado
Nova Friburgo RJ Arquivado

Investigações do Ministério Público

O Ministério Público em diversos estados conduziu investigações independentes:

Órgão Objeto Resultado
MPSP Múltiplas denúncias (abuso, manipulação, financeiro) Arquivado
MPSP 37.0739.0011829/2021 Alegações de "lavagem cerebral" Arquivado por falta de provas
MP-PR Denúncias no Paraná Arquivado
MP-RJ Denúncias no Rio de Janeiro Arquivado

Investigações federais e legislativas

Órgão Tipo Resultado
Ministério dos Direitos Humanos (Federal) Inspeção Sem irregularidades
ALESP (Assembleia Legislativa de SP) Investigação parlamentar Sem irregularidades
Conselho de Direitos Humanos Investigação Sem irregularidades

Investigações eclesiásticas

Órgão Duração Escopo Resultado
Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) 2018-2019 Acusações contra Mons. João Arquivado (pro nunc reponatur)
Visita Apostólica 18 meses 1.824 membros entrevistados Resultados positivos (carta de Dom Sérgio)

Confirmação pelo STJ

Fatos documentados

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de mandado de segurança, confirmou que o inquérito do MPSP deveria ser encerrado. Esta decisão do segundo tribunal mais alto do Brasil validou judicialmente o arquivamento das investigações.

O caso Daniel Palotti Secco

Alegação no documentário
Daniel Palotti Secco afirma ter "ouvido 50 vítimas" em seu conselho.
— Daniel Palotti Secco, "Escravos da Fé"
Fatos documentados

Apesar de afirmar ter ouvido 50 supostas vítimas, o conselho presidido por Daniel Palotti Secco não produziu nenhuma condenação. A alegação de ter ouvido dezenas de "vítimas" não resultou em nenhuma ação judicial bem-sucedida, nenhuma prova material e nenhuma responsabilização criminal.

A disparidade entre o volume de alegações (50 "vítimas") e os resultados concretos (zero condenações) é significativa.

Ação da Defensoria Pública

Fatos documentados

A Defensoria Pública moveu uma ação citando as mesmas denúncias apresentadas pelo grupo de detratores. O resultado foi a extinção da ação — ou seja, o Judiciário considerou que não havia fundamento suficiente sequer para dar prosseguimento ao processo.

Conclusão

Resumo: A alegação de Franklin Gomes de que "não teve investigação" é factualmente insustentável. Os Arautos do Evangelho foram investigados por delegacias de polícia em 9 cidades, pelo Ministério Público de 3 estados, pelo Ministério dos Direitos Humanos federal, pela Assembleia Legislativa de São Paulo, pelo Conselho de Direitos Humanos, pela Congregação para a Doutrina da Fé e por uma Visita Apostólica que entrevistou 1.824 membros ao longo de 18 meses. Todas essas investigações resultaram em arquivamento ou decisões favoráveis. O STJ confirmou o encerramento do inquérito do MPSP.

Referências

  1. Livro, Anexo 46 — Compilação completa dos processos judiciais e seus resultados
  2. Inquéritos policiais — Caieiras, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Piraquara, Maringá, Belo Horizonte, Joinville, Nova Friburgo
  3. MPSP, MP-PR, MP-RJ — Investigações ministeriais arquivadas
  4. Ministério dos Direitos Humanos — Inspeção federal
  5. ALESP — Investigação parlamentar
  6. Conselho de Direitos Humanos — Investigação
  7. CDF Prot. 16958/19 — Investigação eclesiástica arquivada (pro nunc reponatur)
  8. Visita Apostólica — 1.824 membros entrevistados em 18 meses
  9. STJ — Mandado de segurança confirmando encerramento do inquérito MPSP
  10. Defensoria Pública — Ação extinta
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